Os arquitetos brasileiros da FGMF Arquitetos desenvolveram um conceito bastante leve e despretensioso para habitações na Rússia, a fim de atender às expectativas do 3º Concurso Internacional de Arquitetura sobre Habitação Sustentável.

Bolha Protetora

De um modoBolha Protetora geral,o clima local de Cherepovets é predominantemente frio, porém durante os prolongados verões continentais, principalmente em dias de céu aberto, o calor poderá ser excessivo. A edificação proposta se adapta a essas raras condições climáticas, ao usar lâminas de sombreamento e a possibilidade de ventilação otimizada através de elementos construtivos (membranas) adaptáveis.

A proposta da FGMF cria uma ‘bolha protetora’ em torno da casa com esses elementos, de modo que seus ocupantes possam controlar quando e como o sol e o vento irão afetá-la. Cria também um colchão de ar que protege o núcleo contra as severas condições das baixas temperaturas externas, ao mesmo tempo em que absorve suavemente as perdas de calor ocorridas no núcleo. Mas, além do controle das perdas de calor, existe a possibilidade de se usar um generoso e agradável espaço externo durante todo o ano, levando um pouco da contribuição brasileira de ter a natureza e a alegria constantemente à disposição. Não obstante, o conceito da casa não é apenas poético. A intenção foi de criar espaços agradáveis, eficiência energética e também uma construção viável e prática.

Bolha Protetora

QueríamosBolha Protetora uma casa que fosse bastante mutável. Capaz de mudar para se adaptar às extremas variações do ambiente de Cherepovets e poder mudar juntamente com a paisagem, abrindo e fechando e criando novas possibilidades de espaço e de área social,” disse Fernando Forte, apresentando o conceito ao júri do Living Steel ao lado de Lourenço Gimenes em nome da FGMF Arquitetos.

O sistema proposto é suficientemente simples para otimizar a construção usando uma estrutura bastante básica de vigas de perfil “I”, e suficientemente flexível para permitir variações tipológicas adicionais – com possibilidades literalmente infindáveis. O resultado é que o projeto oferece os meios para um profundo sentido de posse, com configurações individuais altamente personalizáveis no interior da ‘bolha’.

“Infelizmente, a idéia de sustentabilidade é discutida atualmente em termos da soma de pequenos sistemas complementares não necessariamente pertencentes à arquitetura. Ou ela é uma meta em si, deixando a arquitetura de lado em razão das premissas de eficiência energética, ou é resolvida pela adição de dispositivos a uma arquitetura irresponsável e muito mal projetada”, disse Gimenes. “Nossa crença é de que a própria arquitetura ou projeto é um meio para oferecer sustentabilidade, um meio para criar um modo de vida melhor. A sustentabilidade é parte da construção daquele ideal, é parte de um sistema; não uma meta em si. A FGMF Arquitetos acredita que a sustentabilidade é alcançada através de um rico espaço para se viver, já que, em última instância, a meta é viver bem. “A sustentabilidade faz parte da arquitetura. Faz parte do projeto tanto quanto a construção, ou a estrutura, ou a iluminação”, disse Gimenes. “Tudo tem que ser expresso através da linguagem da arquitetura”. No Brasil, viver e trabalhar em prédios feitos de aço vem ganhando lenta aceitação, fazendo com que edificações como a que foi projetada pela FGMF para o 3º Concurso Internacional de Arquitetura do Living Steel sobre Habitação Sustentável representasse um conceito exclusivo em seu próprio país. De acordo com Gimenes, “Nossas construtoras e os incorporadores têm essa impressão de que o aço é mais caro, o que obviamente não é uma boa resposta, já que temos que pensar além do primeiro investimento que se faz em um negócio”. São incríveis a agilidade proporcionada por estruturas de edificações em aço e a flexibilidade de se oferecer soluções simples e eficazes”.

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