Desenvolvimento sustentável posto em prática Como na maioria dos desastres, as comunidades mais pobres são sempre as mais prejudicadas e as que têm a maior dificuldade para se recuperar, com ricas heranças perdidas para sempre, quando grupos se separam, esforçando-se para encontrar alimento e abrigo. Essa foi a situação enfrentada pelas comunidades nativas de Taiwan, quando, em 1999, um terremoto de magnitude 7,3 e a consequente inundação causaram graves danos. Os arquitetos da Hsieh Ying Chun Architects and Associates, em Taiwan, foram convidados a reconstruir moradias e comunidades nas áreas afetadas pelo desastre e enfrentaram dois desafios: Construir casas com um orçamento extremamente limitado (25%-50% do preço de mercado) e basear os projetos nos conceitos de construção sustentável e ecologicamente correta, preservação cultural e criação de oportunidades de emprego no local. Desde que enfrentaram tais desafios, eles passaram a ter um papel fundamental na reconstrução de comunidades nativas em Taiwan.

Consulte o blog do projeto.

Desenvolvimento sustentável posto em prática

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A reconstrução das comunidades nativas se tornou um dos principais esforços da construção sustentável, pois a maioria das tribos está localizada em áreas ecologicamente sensíveis, próximas de reservas ou áreas de proteção de animais selvagens. Muitas dessas tribos lutam para preservar sua herança cultural única, sob condições econômicas desvantajosas. Atender à necessidade de novas residências requeria uma abordagem holística, capaz de combinar todos os diferentes elementos, como a solidariedade comunitária, a proteção ambiental e a preservação da herança cultural nativa. Isso requeria mais do que construir várias casas. Soluções deviam ser consideradas em conjunto com residentes das tribos, para preservá-las e proteger sua cultura, solucionar disputas de terra, possibilitar meios para subsistência e estabelecer o relacionamento entre as comunidades nativas e não-nativas. Uma abordagem inovadora também era necessária para tratar de problemas econômicos, oferecendo uma alternativa em forma de um sistema de construção semi-independente, cooperativas residenciais e uma estratégia de apoio microfinanceiro. A Hsieh analisou o projeto com a perspectiva de estabelecer metas de construção solidária e fortalecer o senso comunitário, mobilizando os membros das tribos para reconstruí-las com as próprias mãos.

 

Projeto arquitetônico para a vila Song He, em Taiwan

Em conjunto com a desenvolvedora Atelier-3 Worldwide, a Hsieh Ying Chun Architects and Associates encarregou-se primeiramente do restabelecimento da tribo Thao, a menor comunidade nativa de Taiwan. Essa mobilização também seria uma base fundamental para que futuros desafios fossem enfrentados.

A construção em aço leve foi essencial nesses projetos. Os arquitetos empenharam-se para oferecer residências acessíveis a todos, desenvolvendo uma estrutura em aço leve simplificada como o elemento estrutural principal para vários tipos de construção, de modo que a população local, sem qualificação profissional, pudesse participar das obras. O sistema de construção é aberto, e, desse modo, os projetos podem ser ajustados a diferentes necessidades e são de manutenção e substituição fáceis. Por outro lado, eles podem ser integrados com as culturas tradicionais, sob as condições sociais e econômicas vigentes em uma área. A estrutura de aço leve foi combinada com materiais utilizados pelos nativos, como madeira, palha, lama, tijolos, pedras e cimento no acabamento de fachadas, paredes, assoalhos e tetos. Os telhados receberam acabamento de chapas de aço corrugado e bambu. Todos os pontos de conexão foram parafusados com facilidade. O mais importante é que a reconstrução das residências foi concluída a um custo correspondente a 25% do preço de mercado, graças a uma troca comunitária de mão-de-obra.

Desenvolvimento sustentável posto em prática

A Hsieh acredita que as ideias de construção sustentável podem gerar um movimento de participação social, apenas quando entendidas pelo público em geral e praticadas no dia a dia. Assim, o projeto de autoconstrução ajudou as mais de 5.000 pessoas, envolvidas na reconstrução de sua comunidade, a entender o valor e a noção da construção ecologicamente correta, para garantir o futuro da tribo. Durante o processo de reconstrução da comunidade, várias práticas de proteção ambiental foram introduzidas de modo a permitir que a tribo as adotasse como parte do cotidiano, em vez de considerá-las meras ideias.

Os arquitetos estenderam as experiências adquiridas com a reabilitação da tribo Thao, com mais projetos e planejamento, para ajudar outras comunidades tribais. Conhecimentos profissionais e treinamentos em gestão também foram fornecidos durante o processo de promoção da construção solidária. Como resultado dos treinamentos durante o projeto Thao e outros, atualmente, a região emprega uma equipe de construção com 15 trabalhadores em tempo integral e 20 em meio-período, que participaram dos esforços não apenas para reconstrução de comunidades tribais, mas também para encontrar emprego em projetos de construção comercial. Mais de 300 unidades, incluindo residências, bibliotecas e escolas, foram construídas para os Thao e outras cinco tribos de Taiwan.

Desenvolvimento sustentável posto em prática

A experiência com o projeto de construção de 1999 em Taiwan levou a Atelier-3 Worldwide e a Hsieh Ying Chun Architects and Associates a se juntarem para iniciar a promoção da construção de residências ecológicas nas áreas rurais da China e participar dos esforços em andamento para reconstrução de comunidades nas áreas afetadas pelo tsunami na Indonésia.

Fonte: Hsieh Ying Chun Architects and Associates Design Portfolio, Living Steel 1st International Architecture Competition for Sustainable Housing Expression of Interest, 2006.

Wu Lang constrói sua própria casa.