Recursos internacionais sobre o uso sustentável e inovador do aço na construção civil.
Para arquitetos e profissionais da construção.
Informativo
Construindo com aço
Casa Natura, Brasil
Quando iniciamos o projeto da Casa Natura Santo André, vínhamos de uma experiência anterior de cinco projetos de Casas Natura em São Paulo (Rua Vergueiro, Av. Santo Amaro, Itaquera, Osasco e Guarulhos). Tratam-se de locais dedicados ao contato com a força de venda da maior empresa brasileira de cosméticos, que tem cerca de um milhão de consultoras de venda direta no Brasil.
O crescimento de 20% no número de consultoras em relação a 2009, a intenção da empresa é criar um local de relacionamento físico com essas pessoas. São locais onde acontecem encontros de lançamento mensal, com uma agenda intensa de treinamentos e palestras para as consultoras, alem de estar sempre aberto para visitação do público em geral. Por não se tratarem nem de um showroom e nem de uma loja (produtos não são comercializados nesses locais), as construções passaram a ser denominadas Casas Natura; a idéia é que estes espaços fossem locais onde as consultoras se sentissem abrigadas, acolhidas como em uma casa. As casas, assim, são uma iniciativa no sentido de informar e incentivar as consultoras, que adicionalmente terão a oportunidade de testar e experimentar os produtos que normalmente vendem apenas por catálogo. Além disso, a Natura é uma marca que tem como fundamento estimular a relação entre as pessoas. Desta forma, mais do que um auditório e um show-room, a idéia era criar um espaço agradável onde as pessoas queiram frequentar, encontrar e trocar experiências.

Com um porte bem maior que a nova Casa, as primeiras eram reformas e continham um programa similar: auditórios para treinamento da força de venda; área de exposição e experimentação dos produtos; área de convívio/café e área administrativa.
Porém, por se tratar de reforma, elas consumiram um esforço muito grande das empresas envolvidas – tanto da Epigram e da FGMF, parceiras no projeto, quanto da própria Natura. Afinal, reformar cinco imóveis diferentes provou-se uma tarefa difícil, cara e pouco eficiente.
Por causa do interesse da Natura em implantar Casas em todo o Brasil, propusemos para a equipe de inovação comercial da empresa uma estratégia diferente: fazê-las menores e pré-fabricadas, de maneira a otimizar o projeto, manter maior controle sobre os custos de construção e agilizar sua implantação. Além disso, seria uma forma mais adequada para atingirmos, através de um projeto certificado, as premissas de responsabilidade ambiental requisitadas pelo cliente. Para ilustrar essa possibilidade, apresentamos à Natura o projeto desenvolvido pela FGMF para a final do concurso internacional Living Steel de 2008, onde propusemos uma construção metálica de alto desempenho ambietal e com flexibilidade para se adequar a estações diversas do ano.

Espaços generosos, apesar do tamanho menor. Iluminação natural e contato com o jardim. Construção seca e eficiente. Certificação ambiental. Possibilidade de replicação e customização conforme a situação local. Um objeto delineado pelos seus vazios e pela relação entre o dentro e o fora. Essas premissas deram origem ao projeto de Santo André, que foi concebido e construído como um piloto para futuras replicações. Como um objeto industrializado, após a construção do protótipo será feito um balanço de todo o processo de projeto, construção e operação da Casa para ajustar desde o programa até o detalhamento típico antes de construir novas unidades.Foi pesquisado e escolhido um terreno típico das áreas centrais das cidades brasileiras determinadas pela Natura: um lote de 250m², com 10m de frente, que se tornou nosso módulo mínimo de terreno. Sobre ele, a construção é marcada por um esqueleto metálico que se dispõe longitudinalmente, reservando à porção frontal um grande recuo aberto para a cidade na forma de jardim.

Esse esqueleto pode ser implantado de outras formas em lotes diferentes: pode ser espelhado conforme a conveniência de visibilidade ou acesso, pode ter a frente invertida no caso de lote mais largo ou de esquina, etc. Mas, fundamentalmente, a função desse esqueleto é articular os demais elementos do conjunto e criar um objeto heterogêno que define áreas construídas de diferentes qualidades, abertas e fechadas.
Encaixada no esqueleto, uma grande caixa acomoda o principal programa: dois auditórios flexíveis, onde se dão os encontros das ‘consultoras’ e onde acontecem os freqüentes treinamentos. Mais fechada, possibilita o correto controle de iluminação necessário e configura uma grande caixa suspensa, com balanços que a destacam da estrutura. Ao fundo do lote, as funções naturalmente reservadas são contidas por uma outra caixa, mais vertical: banheiros, depósito, copa e administração fazem parte desse bloco.

Da rua, vê-se através do jardim a construção recuada, que ganha perspectiva. A estrutura anuncia-se uma porção frontal diáfana que contorna a vegetação com vigas brancas e elementos de sombreamento. Logo em seguida, a massuda caixa do auditório extravasa os limites do esqueleto e se impõe como o elemento mais imponente do conjunto. Sob o peso do auditório, derrama-se um pavimento térreo fluido, que não encontra nos vidros da área de exposição um limite claro entre os espaços externos e internos.
O balanço lateral do auditório oferece uma passagem coberta para os visitantes que, finalmente, entram na área de exposição e experimentação dos produtos da marca. Aqui a construção parece desaparecer, deixando no alcance visual do visitante apenas os produtos e o jardim que os rodeia. É só depois de passar pelos produtos que se tem acesso à porta de vidro que nos leva para um átrio central.

Surpreendente, esse espaço é vazio, aberto, semi-coberto, indefinido. Ao mesmo tempo, é um elemento cheio de possibilidades, onde se dá toda a circulação horizontal e vertical da Casa. É também área de encontro e convívio em meio à vegetação, onde o café ocupa uma posição estratégica acoplado à estrutura da escada. Subindo esta escada, chega-se aos auditórios e, cruzando a passarela, atinge-se a administração.
É, na verdade, um objeto muito simples, onde a identificação do programa é facilitada pelo destaque de objetos legíveis acoplados à estrutura onipresente e contínua, que transcende os limites tradicionais da construção e da natureza que a envolve. Assim achamos que devia ser a cara da marca Natura: singela, precisa e em contato direto com a natureza.