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Concursos
3º Concurso
Plano Diretor do Loteamento Com o 3° Concurso Internacional de Arquitetura sobre Habitação Sustentável, os membros do Living Steel sentiram ser tão importante planejar uma comunidade sustentável para a qual seriam construídas as habitações quanto seria planejar o projeto das habitações em si. Dessa forma, acrescentou-se um elemento adicional nos parâmetros do concurso, um Brainstorming sobre projetos encarregado do projeto do plano diretor da comunidade.
A equipe Eero Aarnio (Daniel Jenkins, da ECD Architects, do Reino Unido; Lourenço Gimenes, da FGMF Arquitetos, do Brasil; Pekka Pakkanen, da Huttenen-Lipasti-Pakkenen Architects, da Finlândia; Philip Wells, da Hugh Broughton Architects, do Reino Unido; Vimal Jain, da ARCHITECTURE PARADIGM, da Índia; Fabio Cibinel, da modostudio, da Itália) foi apontada vencedora do Brainstorming, por um júri composto por seus pares, ou seja, pelos outros concorrentes. Apresentamos a seguir uma descrição, em suas próprias palavras, de como o plano foi concebido e o que eles esperam alcançar com ele.
Começamos por examinar o plano original do local que nos foi dado. Examinamos a qualidade das coisas que existiam para aquilo que pretendíamos alcançar e daquilo que queríamos descartar. Começamos estendendo folhas de papel, realizando exercícios de brainstorming, jogando sobre a mesa as idéias que nos vinham à cabeça, para ver as que pegariam e as que seriam melhores. Procuramos o equilíbrio do loteamento com habitações e infra-estrutura, facilidades para a comunidade, como as pessoas iriam permear o loteamento, as densidades do loteamento e também como a estrutura local poderia ser desmembrada ou difundida para que as pessoas pudessem passar por ela. Estudamos a área apresentada para o loteamento como núcleo de urbanização, porém holisticamente preparamos o plano diretor de tal forma que o crescimento da comunidade fosse acompanhado dos necessários desenvolvimentos.
Antes de mais nada, procuramos entender o papel que o novo loteamento poderia desempenhar no esquema geral da cidade. Temos aqui o centro comercial (imagem acima) e este é o novo setor da cidade (depois do rio). Partimos da hipótese de que a cidade cresceria na direção sudeste, já que seu histórico parecia indicar uma tendência para aquela direção. Previmos que poderíamos ligar nossa área (abaixo, à esquerda) ao crescimento potencial de Cherepovets. O loteamento é rodeado por uma floresta e encontra-se isolado, mas imaginamos que ele poderá fazer parte de uma comunidade maior, e que deveria ser considerado como parte do crescimento geral de todo o esquema, e não como um elemento isolado desse esquema.
Decidimos implantar aqui a infra-estrutura básica que atenderia não apenas à nova área, mas promoveria e daria consistência ao crescimento que acontecerá no sudeste, além de complementar a infra-estrutura existente da cidade. Planejamos a instalação de uma unidade de reciclagem, sistemas combinados de aquecimento e energia, e prolongamos as linhas existentes de veículos leves sobre trilhos para a cidade, e usamos meios de transporte de menor capacidade para servir esta área. Não queremos que todos tenham de usar seus carros o tempo todo para chegar a seus locais de trabalho e, por isso, esses micro-ônibus e VLTs poderiam ligar o novo loteamento a Cherepovets.
Foi assim que visualizamos o local e fizemos uso das facilidades existentes, e uma das coisas que discutimos foi que desejávamos criar atividades que respondessem às necessidades dos futuros habitantes promovendo, porém, o crescimento para a segunda fase e para as fases subsequentes. Essas atividades básicas serviriam principalmente para conectar todas aquelas áreas, mas dariam também continuidade ao espaço público ou permitiriam a passagem através de um parque aberto. Não desejávamos acabar com todas as amenidades existentes no local, portanto aumentamos o espaço para criar áreas para a prática de esportes e outras atividades, no inverno e no verão. Dessa forma, abrimos caminho para os já possuidores de casas de veraneio no local, evitando que se sentissem superados ou cortados pela futura vizinhança.
We started looking at the primary access from Cherepovets, and we wanted that to be a green space that linked between the existing and new areas. And from there we looked at secondary roads that would be heavily planted coming through the site and linking from the existing area all the way through the park area and on to the lake.
Começamos por examinar o acesso principal para os que chegam de Cherepovets, reservando a eles um espaço verde que servisse de ligação entre as áreas existentes e as novas áreas. A partir daí, estudamos as estradas secundárias, que seriam cobertas por extensas plantações e que cruzariam o loteamento, ligando as áreas existentes à área do parque e seguindo até o lago.
Partindo do princípio de que poucas casas teriam vista direta para o lago, procuramos preservar essa vista nos espaços públicos para que todos pudessem dela desfrutar. Mantivemos as lagoas e canais que cortam o loteamento e criamos outra zona de pulmão verde entre o principal conglomerado de casas e o lago. As áreas em vermelho são as ligações terciárias ou de terceiro nível que dão acesso a cada aglomerado de seis casas. Não as chamamos especificamente de estradas porque queríamos que cada aglomerado pudesse habitar seu próprio trecho de rua para que as crianças nele pudessem brincar e praticar outras atividades.
Os espaços verdes disporiam também de caminhos para pedestres de modo a não submeter ninguém ao rígido traçado das ruas e permitir que desfrutem de toda a área. Tentamos também reduzir as necessidades de infra-estrutura, condensando todo o tráfego na estrada principal de modo a evitar o cruzamento de veículos por toda parte, mantendo o acesso e a permeabilidade dos pedestres de todo o loteamento sempre nessa principal área central.
Temos assim alguns nós específicos, com os superiores sendo os nós de circulação ligando ruas e estradas, e os inferiores sendo os nós para atividades esportivas, de lazer e da comunidade.
Admitimos ser o fiorde um ponto de certo interesse no loteamento e que poderia ser tão nobre quanto a própria marginal do lago, sendo portanto muito bom condensar ali as atividades esportivas e de lazer.
Começamos por colocar todas essas idéias no plano do loteamento, para estabelecer a área da planta do loteamento. Colocamos a área verde que cruza a parte superior na estrada principal de acesso, depois os canais que cruzam o loteamento, e em seguida a zona do pulmão verde na parte inferior do loteamento.
Tratamos toda a comunidade como se pertencesse à hierarquia de uma folha em relação à árvore, obtendo assim a artéria principal, o tronco, os ramos, o galho e a folha, sendo a folha o lote de terreno com uma casa sobre ele. Estudamos também os aglomerados para saber como tudo isso poderia funcionar e como as pessoas poderiam abrir seus caminhos através deles.
Começamos então a projetar os aglomerados de casas que funcionariam dessa forma e a manter a transparência do loteamento a partir dos assentamentos existentes acima. Este slide mostra como aqueles que cruzam as áreas existentes até o loteamento são mantidos e como são filtrados em direção à parte inferior, com eventos acontecendo na parte inferior. Poderia haver molhes para iates e uma piscina ou um rinque para hóquei sobre o gelo, tudo isso acontecendo ao longo de toda a costa.
A área principal de circulação é interrompida para permitir a transparência através da área existente.
Sentimos que, para maximização do espaço, a vizinhança deveria ter um planejamento mais compacto. Reduzimos então os lotes para 600 a 800 m2, sendo o restante da área usada para criar espaços comunitários maiores e menores, sobre os quais cada residente teria sua parte ideal e deles poderia desfrutar. Este slide mostra a relação entre as áreas abertas e as áreas construídas, isto é, áreas alocadas para os lotes. No lado direito temos as áreas mais densas, e à esquerda as menos densas. O motivo disso é que o lado direito oferece acesso às estradas principais. Nossa idéia foi de manter a passagem aberta para que as casas de veraneio usassem seu parque e as estradas que sempre usaram para chegar à praia, e de criar este parque central para o conjunto habitacional. Uma outra idéia é a de transformar essa área em um espaço mais urbano.
Essas imagens são apenas alguns dos primeiros croquis deste espaço urbano para edifícios públicos, lojas, escolas e para outras atividades necessárias para apoiar a vida e o trabalho de uma comunidade.
Esta imagem mostra o parque aberto que flui por entre a rede de habitações. A direção desse movimento tem origem na praia existente. Os canais existentes seriam transformados neste sistema de lagoas e de pequenos cursos d’água ligando mini-parques com árvores e playgrounds, de tal modo que todos esses caminhos possam formar esse organismo que possui suas próprias regras, mas que cria esses pequenos locais de interesse.
Chegamos assim à menor escala – o aglomerado para as habitações. Existe um pátio comum onde as crianças poderão brincar, ou para organizar pequenas festas ou outras atividades e, na parte de trás dessa área central, as pessoas poderão ter seus próprios pátios. Aqui estamos introduzindo um esquema de sobrados, mas o projeto das habitações poderá ser flexível e organizado de tal modo que cada casa afete a outra o mínimo possível em termos de iluminação e sombreamento solar.
Uma das coisas que não previmos é a de os lotes terem exatamente o mesmo tamanho, para que as pessoas possam determinar o tamanho do lote que desejarem, trazendo assim diversidade para o loteamento. Os lotes foram também projetados para que as casas possam compartilhar seus muros, ou serem totalmente independentes.
Assim, o que de fato tentamos promover foi a existência de muito verde e muitos espaços comunitários, e uma infra-estrutura de sistemas de circulação amigável para os pedestres e que fosse adequada para este local, especificamente por estar tão distante da estrutura urbana do dia-a-dia da vida de uma cidade. As pessoas que vierem para cá poderão desfrutar de um estilo diferente de vida – mais conectado à natureza e ao ambiente natural.